Fim do eSocial: novos rumores e argumentos equivocados geram insegurança

Os rumores sobre o fim do eSocial começaram a ficar mais fortes com o pronunciamento do Secretário Especial de Produtividade do Ministério da Economia. No entanto, alguns dos argumentos trazidos por representantes do governo são equivocados. Vamos esclarecer alguns pontos a respeito do eSocial e a série de problemas em efeito cascata que poderiam ser gerados se fosse levada adiante a ideia de se desenvolver um novo sistema, em substituição ao atual.

Mais da metade das informações enviadas ao eSocial são desnecessárias?

O titular da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, Carlos Costa, afirmou que o governo tinha decidido pelo fim do eSocial, que _x0093_não dá para continuar com isso_x0094_, segundo reportagem do Correio Braziliense publicada na última sexta-feira (0706).

A Folha e O Globo também trouxeram reportagens sobre o assunto. Para a Folha, Carlos Costa disse que o eSocial exige 1.800 informações e _x0093_mais da metade são desnecessárias_x0094_. Como exemplo, citou o título de eleitor.

Ocorre que o eSocial não exige título de eleitor do trabalhador em nenhum dos eventos. Quando um representante do governo faz uma afirmação dessas, demonstra desconhecimento sobre o eSocial.

O eSocial gera redundância no envio de informações?

Outra afirmação feita por Carlos Costa à Folha é que _x0093_há muita informação repetida que o governo já tem e que a empresa precisa digitar várias vezes no mesmo sistema_x0094_.

 

Trata-se de mais um equívoco, pois redundância é o que existe hoje. Inclusive é importante lembrar que em audiência pública realizada em no último dia 09 de maio o Secretário do Trabalho (MTE), Ricardo Ferreira, disse que a partir de 30 de junho serão desligadas para as empresas do primeiro grupo a Rais, Gfip, Dirf e Caged. O eSocial colocará fim ao retrabalho, que hoje temos com Sefip, Dirf, Caged, CAT, Rais e assim por diante.

Lembramos: o eSocial não é complicado. A nossa legislação é que é complexa.

Ressaltamos ainda que vários sistemas da RFB e INSS já estão sendo alimentados com dados do eSocial, segundo informou em audiência pública o representante da Receita Federal, Altemir Linhares de Melo, que também faz parte do Comitê Gestor do eSocial.

“Passar a faca no eSocial e um novo sistema” seriam a melhor alternativa?

Quando Carlos Costa diz que o governo vai _x0093_passar a faca_x0094_ no eSocial e que _x0093_a ideia é a gente acabar com o eSocial e ter um novo sistema bastante simplificado_x0094_, traz preocupação e gera insegurança àqueles que já investiram milhões de reais no eSocial.

Veja: o eSocial é maior projeto de TI (Tecnologia da Informação) do mundo na avaliação de Sergio Sgobbi, diretor de relações institucionais da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).

O país tem mais de 500 mil empresas desenvolvedoras de sistemas, sendo que algumas delas, individualmente, investiram mais de 200 mil horas de trabalho para construir eou adaptar seus softwares para atender a nova exigência do governo (eSocial).

Para se ter uma ideia, tiveram empresas de software para gestão de RH que aplicaram entre R$15 mi e R$30 milhões de reais cada em projetos de TI para atendimento ao eSocial.

Do ponto de vista prático, o governo ignorando tudo isso. As empresas em geral, as organizações, os escritórios contábeis e as consultorias especializadas já investiram em treinamento, capacitação, aquisição de sistemas, revisão de processos internos, entre outras atividades para atender a nova exigência do governo federal. O eSocial trouxe uma mudança de cultura e de processos nas empresas. E quem olhará para essas empresas e para os investimentos realizados para atender o eSocial até agora?

Por exemplo: uma empresa com aproximadamente 300 funcionários que teve um custo de cerca de R$50 mil para implantar sistema, fazer treinamento e capacitação dos colaboradores e revisou os processos internos, terá que fazer um novo investimento para o suposto novo sistema mais simples, conforme afirmou o secretário Carlos Costa?

Além disso, diante de tudo que elencamos aqui no que se refere a investimentos, tanto das empresas, quanto do governo, o fim do eSocial representaria um novo problema ao governo, que poderia culminar em possíveis ações judiciais e, consequentemente, em indenizações. Lembrando que esses valores provavelmente sairiam dos cofres públicos.

A implantação de um novo sistema vai gerar novos custos e tempo, pois exige: