Entre os negócios, é cada vez mais expressiva a demanda por abordagens social e ambientalmente responsáveis. Investidores, bancos e fundos do mundo inteiro têm se valido desses critérios para tomar suas decisões, assim como instituições financeiras e de fomento, multinacionais em suas cadeias de fornecimento e até governos nacionais. Essa demanda está hoje toda dentro do escopo do ESG.
Estratégias de ESG devem levar em conta, de forma sucinta, alguns pilares: no Environmental (Ambiental), as empresas devem trabalhar na redução de emissões de carbono e do desperdício de água, além de procurar soluções tecnológicas limpas, como energia solar, por exemplo. No Social, o desafio é prover segurança e privacidade aos dados de clientes, colaboradores, parceiros e fornecedores, estabelecer relações positivas com a comunidade no entorno e identificar quais setores da cadeia de suprimentos não seguem os mesmos padrões. Em Governance (Governança), além da estruturação dos órgãos decisórios, Governança inclui também as políticas, as regras e os controles internos das empresas, assim como a auditoria e o compliance.
Quanto mais as empresas atuam dentro desses pilares, mais elas obtêm chances de atrair recursos, de melhorar seu posicionamento de marca, captar os melhores talentos do mercado, e, por consequência, de ver suas receitas crescendo. Tudo isso sem deixar de lado as responsabilidades com quem vive ao redor, com os consumidores em geral e, principalmente, com o meio ambiente. É, em suma, uma oportunidade social e econômica de se colocar no mercado.
No entanto, há vários mitos em torno do ESG. Por se tratar de um conceito que ganhou amplitude recentemente, muita gente ainda não é totalmente familiarizada com suas potencialidades, mesmo já tendo acessado algumas dessas conclusões precipitadas _x0096_ como as que dizem que se trata de uma “moda” do mundo dos negócios ou que é um investimento caro demais para ter algum retorno.
Nesta semana, a Funcional fará um webinar justamente para esclarecer todas essas dúvidas: será na quinta-feira (27), às 17h, no nosso canal do Youtube.
Mas, antes disso, nós já desmistificamos algumas coisas que você provavelmente já ouviu sobre o ESG. Veja a seguir.
Mito 1: Adotar o ESG é mais caro
Sucintamente, o argumento afirma que colocar o ESG em prática é tão caro que, no final, os resultados financeiros apenas compensam o que foi investido inicialmente.
Em primeiro lugar, porém, é equivocado falar em “investimento no ESG” _x0096_ na verdade, trata-se apenas de um investimento no negócio, como qualquer outro que, como tal, está sujeito a resultados variáveis.
No entanto, um relatório recente da consultoria Morningstar mostrou que, em meio à pandemia de covid-19, empresas que investiram mais em ESG tiveram melhores resultados em seus mercados do que aqueles que decidiram por outras estratégias. O relatório afirma ainda que, quando essas companhias integraram métodos tradicionais de avaliação dos resultados com as novas análises sustentáveis, puderam aperfeiçoar a maneira como julgavam os objetivos alcançados e os que ainda estavam no horizonte.
Mais interessante ainda: a pesquisa revela que, entre 2009 e 2019, 59% dos produtos e serviços sustentáveis colocados no mercado por diferentes empresas europeias tiveram desempenhos melhores do que produtos eou serviços comuns. No caso de ações, esse número é ainda maior _x0096_ 72% dos fundos de ESG sobreviveram ao longo da década, enquanto a taxa foi de 46% para ações comuns.
“Isso demonstra que o ESG não é sequer uma demanda nova”, analisa Samuel Campos, Head de Gestão Empresarial da Funcional. “O conceito já tem apresentado resultados significativos para as organizações que o adotam há pelo menos dez anos. O que aconteceu é que, com a pandemia, essa preocupação explodiu”, completa ele.
Mito 2: Investidores não estão interessados verdadeiramente em ESG
Outro mito que os dados destroem rapidamente: segundo consultorias financeiras britânicas e americanas, como a Refinitiv e a MSCI, a demanda de investidores internacionais por fundos, produtos, serviços e empresas alinhadas ao ESG cresceu expressivamente entre 2015 e 2020. Um mercado de US$ 6 bilhões (R$ 31,7 bilhões, na cotação de maio) em 2015, ele é de US$ 150 bilhões agora (R$ 793,3 bilhões).
Ou seja, um crescimento de 2.400% em um período de cinco anos! Por ano, fazendo essa conta, o interesse por investimentos desse tipo cresce 480% em capital.
Tão relevante quanto é observar o salto que aconteceu entre 2019 e 2020: naquele primeiro ano, esse mercado movimentava pouco mais de US$ 20 bilhões (R$ 105 bi), enquanto, no período seguinte, já na pandemia, ele foi para perto dos US$ 80 bilhões (R$ 423 bi).
“Essa transformação na maneira como os investidores agem é significativa para negócios de todos os setores. Isso significa, principalmente, que há uma demanda por parte deles por empresas que sejam responsáveis _x0096_ tanto no social quanto no ambiental _x0096_ e que, além disso, ofereçam transparência ao mercado”, explica Alexandre Mori, Head de Expansão da Funcional.
Mito 3: O ESG só funciona para o mercado financeiro
Falso. Embora seja real que estratégias e demandas por investimentos sustentáveis sejam mais intensas de mercados de capitais _x0096_ e que o conceito tenha vindo deles, inclusive _x0096_ hoje o ESG pode ser visto como uma postura necessária a qualquer tipo de empresa. Isso porque muitos desses atores econômicos não estão em busca de ações ou fundos, mas de negócios rentáveis onde eles possam colocar capital sem grandes riscos.
Há ainda o processo contrário: quando são as companhias que procuram instituições financeiras ou de fomento em busca de linhas de crédito atraentes, com prazos de pagamento espaçados, carências que atendam suas necessidades e juros baixos.
Nesse sentido, o ESG também engloba qualquer tipo e tamanho de negócio: dos pequenos aos grandes. Isso porque, adotando o conceito, produtores e fornecedores terão acessos privilegiados a crédito, insumos, mercados e demanda, enquanto quem ficar para trás terá dificuldades para acompanhar essas mudanças depois.
Mito 4: ESG é uma moda do mundo dos negócios
Esse mito foi enterrado completamente quando, na metade de 2020, o maior fundo de investimentos do mundo, o da americana BlackRock, com cerca de US$ 7 trilhões em ativos, anunciou que deixaria de investir em qualquer organização que não tivesse projetos sustentáveis ou, mais do que isso, que não apresentavam nenhum propósito dentro desse escopo. Logo em seguida, o ESG dominou as mesas do principal fórum econômico global, em Davos, na Suíça.
Tempos antes, porém, o conceito já havia subido à superfície dos mercados internacionais quando a China contou ao mundo sua meta de deixar de emitir dióxido de carbono na atmosfera até 2060, incentivando a transição para uma economia sustentável. Naquele ano, segundo a consultoria chinesa Ping An, 85% das 300 maiores companhias do país haviam lançado programas de ESG _x0097_ número que era de 54% em 2013. Entre essas, 12% ainda apresentaram ao mundo relatórios auditados, demonstrando maior transparência para suas operações.
É difícil supor que forças tão relevantes do jogo de trocas comerciais do planeta hoje, como o governo chinês, a BlackRock e o Fórum Econômico Mundial, estejam apostando suas fichas em moda.
Mito 5: É uma prática restrita aos mais jovens
Uma pesquisa do instituto americano Morgan Stanley diz o contrário. Em 2019, enquanto 95% dos investidores com menos de 40 anos demonstravam interesse em meios sustentáveis para colocar seu dinheiro, essa taxa era de 85% entre as demais faixas etárias. A diferença não era muito diferente em 2015, quando na mesma pesquisa, 84% dos mais jovens diziam ter interesse em investimentos desse tipo, e 71% dos mais velhos respondiam o mesmo.
Na verdade, essa demanda não se explica pela idade, mas principalmente pelos setores que a estão liderando. O mercado financeiro, de onde tudo começou, é também onde o mercado está mais aquecido: entre 2007 e 2021, o volume de títulos “verdes” negociados no mercado mundial foi de R$ 1 trilhão. Porém, hoje não há nenhum setor ausente desse apetite por ESG _x0096_ vai da indústria ao varejo, das consultorias ao comércio.
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Ecrito por Vinicius Mendes, jornalista.