A cultura, prática e o monitoramento da Gestão: passos para a implementação de uma Gestão Estratégica Assertiva

Um dia desses um amigo me perguntou: Carlos o que é Governança? Mais que depressa, pensei nas aulas do Board Academy Br e iniciei minha narrativa:  

Cara… é um sistema ou um conjunto de regras ou normas que compõem a prática das decisões de uma empresa. Penso que de maneira sintética respondi ao questionamento, mas quero aqui, aproveitar para aprofundar o tema com você, vamos lá!? 

Diante dessa definição, podemos afirmar que não é necessário ser uma GRANDE EMPRESA para implementar uma Governança Corporativa, repare que ela nada mais é do que a “prática das decisões”, ou seja, toda a empresa por menor que seja, toma decisões o tempo todo. A grande questão é:

COMO ESSAS EMPRESAS TOMAM AS DECISÕES?

Geralmente essas decisões são baseadas nas convicções pessoais dos sócios, leva em consideração suas experiências e está recheada de conflitos, incertezas e, na maioria das vezes, essas decisões vem há tempos sendo procrastinadas ou não levam em consideração todos os aspectos de tendências, inovações e instabilidade do mundo competitivo.  

Não há demérito nessa forma de agir, mas… ela pode ser melhor, diria que bem melhor! 

Não adianta uma empresa escrever uma política de governança, ter uma hierarquia definida com todas as alçadas de responsabilidades, ter consultores ou advisors auxiliando na gestão, mas a prática, o dia a dia da empresa continua na mesma, não é mesmo!?  

Relato aqui, algumas experiências que tive ao longo do tempo como executivo e gestor de equipes somadas à formação recente como conselheiro de empresas:  

São 3 os ingredientes fundamentais da Governança Corporativa que afeta a melhoria da tomada de decisões:  

  1. RITOS, que vou chamar de CULTURA DA GESTÃO; 
  2. RITUAIS, que vou chamar de PRÁTICAS DE GESTÃO; 
  3. ROTINAS, que vou chamar de MONITORAMENTO DA GESTÃO; 
    1. Cultura da Gestão 

      A cultura da gestão define a forma como a empresa é gerida e, um dos momentos mais importantes das decisões estratégicas das empresas são:  

      As reuniões do conselho de sócios, deliberativo ou de conselho consultivo.  

      Afinal, já é uma decisão estratégica fazer reuniões com os tomadores de decisão para alinhar a estratégia da empresa, não é mesmo? Se a sua empresa não faz, recomendo que faça… 

      Essas reuniões devem ser cultivadas e por isso, a maneira como elas são feitas fazem parte da CULTURA DA GESTÃO, logo a estruturação destas reuniões, a definição das pautas e os entregáveis para o monitoramento estratégico de cada decisão e de seus impactos impactará diretamente nos resultados e efetividade da gestão estratégica desta empresa. 

      Geralmente em uma primeira ou em reuniões de gestão estratégica devem ocorrer: 

      1. Uma apresentação dos conselheiros, sócios e fundadores e seus maiores motivadores para iniciar o negócio; 
      2. Uma orientação e alinhamento das regras do conselho previamente acordada com os acionistas;
      3. Uma apresentação institucional da empresa, para que todos tenham um conhecimento geral da organização;
      4. Um histórico da empresa e seus maiores desafios da atualidade; 
      5. Seus indicadores financeiros e operacionais que norteiam a tomada de decisão; 
      6. Itens do Planejamento Estratégico da organização, politicas de RH e ESG;
      7. Os passos seguintes, para serem implementados no curto, médio e longo prazo; 
      8. As atividades a serem realizadas para a próxima reunião
      9. Alguns alinhamentos, dúvidas, colaboração, feedback e comentário dos participantes
      10. Uma definição do Calendário das Reuniões
      11. O encerramento que por vez ou outra é seguido de mais tempos juntos individuais 
        1. Práticas de Gestão 

          As práticas da gestão refletem o que de fato daquele tempo envolvido em reuniões, de fato se transformou em ações. Essas práticas garantem a execução recorrente das tarefas de forma estruturada, como revisões de desempenho, discussões de indicadores e alinhamentos estratégicos. Elas ajudam a manter a disciplina e asseguram que as ações planejadas sejam realizadas de forma eficiente.  

          Elas precisam ser discutidas em reuniões do conselho que, naturalmente, iniciará com a revisão das pendências do último encontro, algum panorama geral e destaques que ocorreram, a atualização dos números e indicadores, as experiências dos clientes, as posições a serem contratadas, as possíveis parcerias e as suas necessidades de desenvolvimento.  

          Para o bom funcionamento e como boas práticas é necessário se fazer o uso de materiais de apoio como relatórios gerenciais disponibilizados para consulta prévia, o contrato social e os acordos vigentes, as demonstrações financeiras, atas de reuniões e um regimento interno.  

          Percebo naturalmente em algumas startups e pequenas empresas, que a prática básica de registrar o que está sendo discutido (uma ata) e a definição dos próximos passos muitas vezes são negligenciadas o que torna as reuniões e definições estratégicas sem efeito algum.  

          Monitoramento da Gestão 

          Aqui entramos mais no quesito das rotinas dos conselhos ou do modus operandi da gestão corporativa e vemos que, quando levadas com constância acabam produzindo bons efeitos.  

          A Bíblia diz em 1. Co 15.58: _x0093_Portanto, sejam firmes e constantes”. Recentemente tive a experiência de auxiliar na gestão de uma empresa que não parava para refletir no posicionamento estratégico e pensava apenas em nível tático o micro gerenciamento das atividades do dia a dia. Naturalmente que, se os sócios, ou conselheiros não pensarem na estratégia da empresa, ninguém mais pensará.  

          Implementamos a prática de uma vez por semana sentarmos de 2h a 3h apenas para falarmos da gestão estratégica da pequena empresa e os efeitos tem sido excelentes! 

          Escrito por Carlos Alberto Schulze – Consultor Empresarial da Funcional