Reforma tributária impacta setor de transportes: quais estratégias tributárias que sua transportadora deve usar?

A importância do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil  

É inegável a importância da contribuição do setor de Transportes Rodoviário de Cargas para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o segmento representa uma parcela significativa do PIB brasileiro (Produto Interno Bruto), movimentando aproximadamente 65% das mercadorias no país.  

Em 2021, o setor de transportes cresceu 11,4% como um todo, superando o crescimento do PIB brasileiro, que foi de 4,6% naquele ano. Em 2002, houve uma expansão de 9,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2021, atribuída ao aumento nas rotas e à interiorização da produção agroindustrial no Brasil. Hoje, representa entre 6% e 7% do PIB.   

Desafios do setor: custos e alta carga tributária  

Esse setor enfrenta desafios, como o aumento nos custos de veículos, mão de obra e combustível, com uma alta acumulada de até 104% em alguns desses custos. Além dos custos altos, o setor sofre com a alta carga tributária, cenário que não deve mudar com a chegada da reforma tributária, que trará aumento nos tributos, elevando os custos de transporte e prejudicando a competitividade no mercado interno e internacional.  

Principais custos do transporte rodoviário de cargas 

Conforme publicado no Plano Nacional de Logística PNL _x0096_ 2025, a matriz de transporte de cargas no Brasil é majoritariamente rodoviária, com as rodovias federais totalizando 76,4 mil quilômetros, sendo 64,8 mil km pavimentados e 11,6 mil km não pavimentados. A malha rodoviária, devido à sua grande utilização, permite o transporte de ponta a ponta do Brasil, tornando o transporte mais eficaz.  
 

O Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) publicou um estudo destacando o crescimento notável do segmento no país, somente no primeiro semestre de 2024, foram criados mais de 450 mil novos postos de trabalho. Esse aumento de 12,4% em relação ao ano anterior reflete a robustez do segmento, que conta atualmente com mais de 1,2 milhões de trabalhadores diretos e indiretos. 

Dentre os principais custos do transporte rodoviário de cargas no Brasil podemos destacar: 

  • Combustíveis: o preço do diesel varia conforme fatores econômicos e tributários, considerando o alto consumo do diesel pelos caminhões os gastos da empresa são impactados diretamente; 
      • Manutenção da frota: engloba os gastos com peças, pneus, lubrificantes e serviços mecânicos, como o desgaste é alto, principalmente, em estradas de qualidade inferior, aumenta a frequência das manutenções e consequentemente os gastos; 
          • Pedágios:  os custos de pedágios nas rodovias concedidas é um custo frequente. A tarifa pode variar bastante, dependendo da região e da concessionária responsável pela rodovia, destaca-se como um fator que encarece o transporte em rotas mais longas. 
             
              • Seguros: o seguro do veículo e da carga é essencial para proteger contra roubos e acidentes. No Brasil, o índice de roubo de cargas é alto, o que eleva o custo dos seguros e obriga as transportadoras a investirem em segurança. 
                 
                  • Mão de obra: inclui os salários, benefícios e encargos trabalhistas dos motoristas e demais funcionários. Motoristas experientes, que possuem um custo mais elevado, são essenciais para garantir a segurança e eficiência no transporte. 
                    • Além dos custos citados acima, temos também os custos tributários com ICMS, IPI, ISS, entre outros, que incidem sobre toda a cadeia de insumos e impactam diretamente na margem de lucros das empresas de transportes. 

                      Impactos da reforma tributária  

                      Com a chegada da reforma tributária, o cenário tributário das transportadoras deve mudar consideravelmente. A proposta de criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) busca substituir tributos federais, estaduais e municipais como PIS, COFINS, ICMS e ISS por uma alíquota unificada. 
                       

                      Embora a reforma tenha como objetivo simplificar o sistema, o IBS poderá aumentar a carga tributária do setor, com uma alíquota estimada em 25%, superior à média combinada atual de 19,5%. Isso pode resultar em um aumento nos custos operacionais, forçando os transportadores a repassarem esses valores para os clientes e promovendo sua competitividade. 

                      Outro ponto de atenção é a aplicação do IBS sobre o diesel, um dos itens mais tributados. Caso o IBS incida diretamente sobre o diesel, haverá um aumento significativo no custo desse consumo. 

                      Estratégias para reduzir o impacto da reforma 

                      Com o novo panorama tributário, as transportadoras precisarão adotar estratégias para mitigar o impacto dos impostos elevados. Algumas ações recomendadas incluem: 

                      • Adoção de tecnologias que aumentam a eficiência operacional. 
                         
                          • Otimização de rotas para reduzir custos de combustível e tempo de transporte. 
                             
                              • Planejamento tributário com consultoria especializada para maximizar a rentabilidade. 
                                 
                                • Como a Funcional pode ajudar 
                                   

                                  A Funcional está preparada para auxiliar sua transportadora com um tempo de especialistas tributários. Nossa consultoria oferece apoio completo para ajudar sua empresa a realizar o melhor planejamento, enfrentando os novos desafios da reforma tributária e garantindo o melhor desempenho e sustentabilidade para sua operação. 
                                   

                                  Escrito por Iracema da Costa de Alencar, Coordenadora Contábil e Tributário _x0096_Terceirização (Transportes).